quarta-feira, abril 19, 2006

Acasos



Hoje me surpreendi ao ler sobre o acaso no livro "A insustentável leveza do ser - Milan Kundera" de como o acaso nas nossas vidas são normalmente uma experiência marcante. São coisas que poderiam não acontecer, não são esperadas e nem passível de previsão como as coisas que esperamos receber no nosso aniversário ou como será o encontro com a pessoa que gostamos. É simplesmente o acaso. Pessoas as vezes se assustam com o acaso, acham que é ruim acontecerem coisas inesperadas, dão medo porque são uma daquelas coisas (sim, porque há muito mais do que pensamos) que fogem de nossos controles, tangenciam a linha da imaginação. Mas se pararmos para pensar nossas melhores experiências (ou pelo menos as mais marcantes) se deram pelo acaso, uma pessoa que você conhece de uma forma quase que similar aos mais belos romances, ou formas impossíveis de conceberem.
"Só o acaso pode nos parecer uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e se repete cotidianamente é coisa muda apenas(...)A presença de Tomas no restaurante foi para Tereza a manifestação do acaso absoluto,..., agora, enquanto voltava do balcão com um conhaque para Tomas, esforçava-se para ler nesse acaso: como era possívelque, no exato instante em que se preparava para servir um conhaque àquele desconhecido que lhe agravada, ouvisse Beethoven?(...) Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem desde o primeiro instante como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis".(Trechos do Cap. IX da parte 2: Alma e peso)
Hoje enquanto lia este capítulo, numa fila para ser atendido no médico, havia uma pessoa que iria se consultar junto a mim na oftalmologista para exercícios ortópticos, e ao falar com ela, deram-se sucessítveis acasos como: interesse pelo livro que estava a ler, pelo Garcia Marquez, Neruda, fazer a mesma faculdade e ter uma colega em comum. E o maior dos acasos é enquanto ocorrem todas essas coisas, eu estava a ler um capítulo sobre o mesmo! Claro que isso pode ser nada, a mim não faz nenhuma diferença que se resulte em algo mas ainda sim é algo muito interessante pois os acasos ocorrem a quase todo momento em nossas vidas mas só quando tomam uma importância maior damos valor a este ou no meu caso de hoje, quando o lemos e vemos algo prático ao nosso lado. E não acontecem acasos relacionados ao amor, mas por tudo que nos rodeia. Lembramos das pessoas por circunstâncias inesperadas, não por coisas rotineiras.
Eu mesmo vivo agora num puro fruto do acaso de gostar de uma garota que conhecia anos antes (irmã de um amigo meu), mas que não tinha o mínimo elo de ligação para ter qualquer conversa mas que num curto período de tempo tomou meu campo de interesse e emocional de uma forma inesperada. E não é ruim acontecerem os acasos, senão, por exemplo, não teria este privilégio de ter tido a oportunidade inesperada de gostar de uma pessoa que anos antes era apenas um sujeito derivado de um amigo (irmã do meu amigo), e agora tem nome próprio.
Poderia ficar aqui falando quase que a vida toda sobre vários momentos inesperados que acontecessem algo assim mas gostaria só de falar um pouco sobre isso que estava em minha mente desde que li isso no livro, assim como falar sobre o livro que estou adorando cada página que acabo por ler.
Como a vida se torna interessante apenas pelos acasos!

segunda-feira, abril 10, 2006

Não sei no que estava pensando quando decidi montar uma banda de rock....


Adoro essa frase acima, vem de uma musica dos Cigarettes (Colares, você é um gênio da simplicidade). Tem muito a ver comigo e acho que com todo mundo que tem uma banda, ou tinha ou pensa em montar. Realmente, o processo de ter uma banda nunca é tão simples quanto pensamos, envolvem muitas coisas das quais não quero falar (até porque não sou um experiente nesse assunto).
Quando vamos num ensaio com amigos, assim que fechada a porta, nos enclausuramos do mundo. A partir deste momento, e por umas horas, o mundo é nosso. A harmonia do mundo dependerá de minha voz, guitarra e da ajuda de todos os outros. Podemos fazer uma guerra nos acordes, ou uma grande trégua entre as musicas. Podemos clamar o Amor assim como o ódio. Podemos fazer de cada canção a história de nossas vidas. O mundo lá fora pode estar acabando porque nesse pequeno momento nosso podemos esqueçer de tudo, o que vai importar serão as musicas, os efeitos, defeitos. É uma emoção totalmente diferente que mesmo quando ensaio por bobeira gosto de levar nesse sentido, para mim é impossível levar de outra maneira. É algo que por vezes penso que não gostaria nunca de parar de fazer isso.

domingo, abril 09, 2006

Poesia para o nada!


Eu me sinto diferente do que digo no poema. Sinto algo por alguém, mas aqui vou dizer que não sinto justamente para me divertir um pouco. Esse poema também é mais antigo, eu gosto muito dele por ele ser o meu lado sarcástico.
Agora espero que gostem também deste poema.
Fiquem bem.

Romântico

Eu não amo ninguém,
não importa a pessoa, não persista
Não venha com nomes, responderei com nãos
Eu não chego até lá
Lá é vazio, sem fundo
lá naum tem nada especial

Sente, tome um chá com biscoitos
vou contar-te uma história
Ninguém chegou até meu coração como ela
E não há mais ninguém lá
E ninguém chegará lah
Porque não amo ninguém

Poderia conhecer tu,ela ou até outras
Mas nenhuma escalaria o monte
Ninguém hastearia a bandeira
E gritaria pra ficar

Não sou um dos últimos românticos
Só pq uma vez disse "te amo"
poderia dizer-te também, te odeio, te adoro
Uma pequena frase como esta não iria expressar
todo sentimento que senti
Para acabar ainda hoje esse poema direi o que tanto esperas
Te amo,
mas não amo ninguem.

D.F 2003

sábado, abril 01, 2006

Quem conta um conto..... torra a paciência dos outros!


Aniversário de Namoro
João nunca acreditou em horóscopo mas sempre olhava para ver as considerações vagas sobre o dia do Virginiano. Ele ao olhar riu apenas e pôs no sobretudo o jornal “O que eles sabem sobre todos nós?” pensou consigo mesmo.

João chegou em casa mais cedo do trabalho e estava muito contente por comemorar hoje seu 3º ano de namoro. E logo quando abre a porta, vai chegar as contas que chegaram por baixo de sua casa. Passam as cartas pelas mãos assim como passam os trens enquanto esperamos. Ele para os olhos em um único envelope dentre os 10 em sua mão, era um postal que apenas dizia no verso: “Mal fico longe e já tenho saudades de ti”, no lugar da assinatura apenas uma rubrica que João não sabia se era um C.R ou talvez um A.D, não fazia importância o nome, aquilo não significava boa coisa. João nunca foi de confiar nas pessoas, tinha históricos de sofrimentos ao tentar confiar nas pessoas, dizia sempre para todos “Nem em Deus eu confiaria meu mais simples chiclete”. Essa falta de confiança sempre foi um problema para ele e a sua namorada, Raquel, pois haviam brigados algumas vezes sobre isso, e Raquel sempre disse “Pode confiar em mim mais que em ti próprio, eu não sou como aquelas putas que você namorou. Eu te amo”.
O telefone toca tão logo que ele desiste de ficar a olhar o Postal, ele vai atender mas assim que o faz a ligação cai. Ao por o telefone no gancho depara que tem uma mensagem na secretária, põe-se para ouvir e ouve uma voz que diz “Raquel? É você? Preciso falar urgentemente com você....acho que não tenho crédito suficientemente para poder explicar, acho que vou....”, porém antes que ele completasse, parece que tinha caído a chamada na metade. João pensou consigo mesmo “Crédito.... crédito, Raquel gostaria de ter créditos para acreditar na desculpa que você vai me dar quando chegar”.
Passam-se exatos 34 minutos, João ainda não havia trocado de roupa e nem preparado tudo que havia planejado para aquela noite tão especial, quando ouve-se abrir a chave da entrada da casa, Raquel entra com umas rosas linda e grandes daquelas que só presenciamos nos filmes de romances e nunca vemos para nós mesmo. Aquilo já era a gota d'água, Postal, telefone e agora flores.
“Olá querido” - disse Raquel.
“Olá, quero conversar com você. Sabe o que é isso?!” - Sua voz subiu tão logo que mostra o Postal para sua esposa, que sobe as escadas para poder ver do que se tratava.
“Ora, é para mim....” - replicou sua esposa no andar superior de frente do seu marido que podia ver os olhos vermelhos, não entendia nada, mas antes que pudesse perguntar por que tudo isso, sua voz foi abafada com a voz grave e forte de seu marido.
“Merda, isso eu já sabia, eu aprendi a ler e aprendi a ser fiel a pessoa que ama também...”
“O que você quer dizer com isso?”
“E essas flores aí em seus braços? Vai me dizer também que são para você, e logo depois vai dizer que também a mensagem deixada na secretária é para você também?! ESSA MERDA TODA EU SEI, MAS NÃO PODIA ACREDITAR NO QUE EU PODERIA VER HOJE!”.
“Acho que algo não está indo certo, você deve ter entendido algo errado, deixe-me explicar”.
“NÃO!!!”
“Bem, então deixe-me passar pois tenho muito mais o que fazer do que ouvir você nessa altura toda por nada”.
“Não vai passar por mim, vou tirar isso tudo a limpo agora mesmo, eu prometi a mim mesmo que não deixaria mais nenhuma puta me passar a perna e transar com outro na minha frente. Eu te avisei disso e preveni que o que mais odiava era ser traído!!!” - Ele grita na sua frente e trava a passagem e ela já enfurecida com tanta grosseria tenta forçar a passagem mas ele era muito mais forte e logo empurra-a mas não percebia que ela estava na ponta da escada e assim deixa-a cair enquanto o telefone toca, fazendo uma sinfônica sarcástica o tocar do telefone junto com a queda de sua esposa. Perplexo olha para baixo e a veja caída, fica por uns momentos, no qual não sabe dizer quanto, aquele momento da queda pareceu uma eternidade, cada degrau que ela rolava ele lembrava de momentos que passaram juntos. O primeiro beijo deles, a primeira noite deles, o primeiro aniversário de namoro e o primeiro assassinato. Raquel estava morta.
Ao se dar conta disso quando sente seu pulso morto e a respiração ausente, a secretária ativa para receber a mensagem: “Raquel, desculpe naquela hora mas acabaram-se os créditos, sou eu seu irmão. Queria dizer que aquele jantar no restaurante foi confirmado eu consegui fazer para você a reserva como você tinha pedido no restaurante do primeiro encontro de vocês. Aliás, você recebeu o postal? E as flores, gostou delas? Foi um presente para você por seus 3 anos com João. Espero que sejam felizes.”
João ao ouvir tudo isso, pega o jornal em seu bolso do sobretudo e relê o horóscopo que havia lido mais cedo: “Péssimo dia para lidar com as pessoas, os seus sentidos o trairá”.
Texto por Daniel Figueiredo