
Aniversário de Namoro
João nunca acreditou em horóscopo mas sempre olhava para ver as considerações vagas sobre o dia do Virginiano. Ele ao olhar riu apenas e pôs no sobretudo o jornal “O que eles sabem sobre todos nós?” pensou consigo mesmo.
João chegou em casa mais cedo do trabalho e estava muito contente por comemorar hoje seu 3º ano de namoro. E logo quando abre a porta, vai chegar as contas que chegaram por baixo de sua casa. Passam as cartas pelas mãos assim como passam os trens enquanto esperamos. Ele para os olhos em um único envelope dentre os 10 em sua mão, era um postal que apenas dizia no verso: “Mal fico longe e já tenho saudades de ti”, no lugar da assinatura apenas uma rubrica que João não sabia se era um C.R ou talvez um A.D, não fazia importância o nome, aquilo não significava boa coisa. João nunca foi de confiar nas pessoas, tinha históricos de sofrimentos ao tentar confiar nas pessoas, dizia sempre para todos “Nem em Deus eu confiaria meu mais simples chiclete”. Essa falta de confiança sempre foi um problema para ele e a sua namorada, Raquel, pois haviam brigados algumas vezes sobre isso, e Raquel sempre disse “Pode confiar em mim mais que em ti próprio, eu não sou como aquelas putas que você namorou. Eu te amo”.
O telefone toca tão logo que ele desiste de ficar a olhar o Postal, ele vai atender mas assim que o faz a ligação cai. Ao por o telefone no gancho depara que tem uma mensagem na secretária, põe-se para ouvir e ouve uma voz que diz “Raquel? É você? Preciso falar urgentemente com você....acho que não tenho crédito suficientemente para poder explicar, acho que vou....”, porém antes que ele completasse, parece que tinha caído a chamada na metade. João pensou consigo mesmo “Crédito.... crédito, Raquel gostaria de ter créditos para acreditar na desculpa que você vai me dar quando chegar”.
Passam-se exatos 34 minutos, João ainda não havia trocado de roupa e nem preparado tudo que havia planejado para aquela noite tão especial, quando ouve-se abrir a chave da entrada da casa, Raquel entra com umas rosas linda e grandes daquelas que só presenciamos nos filmes de romances e nunca vemos para nós mesmo. Aquilo já era a gota d'água, Postal, telefone e agora flores.
“Olá querido” - disse Raquel.
“Olá, quero conversar com você. Sabe o que é isso?!” - Sua voz subiu tão logo que mostra o Postal para sua esposa, que sobe as escadas para poder ver do que se tratava.
“Ora, é para mim....” - replicou sua esposa no andar superior de frente do seu marido que podia ver os olhos vermelhos, não entendia nada, mas antes que pudesse perguntar por que tudo isso, sua voz foi abafada com a voz grave e forte de seu marido.
“Merda, isso eu já sabia, eu aprendi a ler e aprendi a ser fiel a pessoa que ama também...”
“O que você quer dizer com isso?”
“E essas flores aí em seus braços? Vai me dizer também que são para você, e logo depois vai dizer que também a mensagem deixada na secretária é para você também?! ESSA MERDA TODA EU SEI, MAS NÃO PODIA ACREDITAR NO QUE EU PODERIA VER HOJE!”.
“Acho que algo não está indo certo, você deve ter entendido algo errado, deixe-me explicar”.
“NÃO!!!”
“Bem, então deixe-me passar pois tenho muito mais o que fazer do que ouvir você nessa altura toda por nada”.
“Não vai passar por mim, vou tirar isso tudo a limpo agora mesmo, eu prometi a mim mesmo que não deixaria mais nenhuma puta me passar a perna e transar com outro na minha frente. Eu te avisei disso e preveni que o que mais odiava era ser traído!!!” - Ele grita na sua frente e trava a passagem e ela já enfurecida com tanta grosseria tenta forçar a passagem mas ele era muito mais forte e logo empurra-a mas não percebia que ela estava na ponta da escada e assim deixa-a cair enquanto o telefone toca, fazendo uma sinfônica sarcástica o tocar do telefone junto com a queda de sua esposa. Perplexo olha para baixo e a veja caída, fica por uns momentos, no qual não sabe dizer quanto, aquele momento da queda pareceu uma eternidade, cada degrau que ela rolava ele lembrava de momentos que passaram juntos. O primeiro beijo deles, a primeira noite deles, o primeiro aniversário de namoro e o primeiro assassinato. Raquel estava morta.
Ao se dar conta disso quando sente seu pulso morto e a respiração ausente, a secretária ativa para receber a mensagem: “Raquel, desculpe naquela hora mas acabaram-se os créditos, sou eu seu irmão. Queria dizer que aquele jantar no restaurante foi confirmado eu consegui fazer para você a reserva como você tinha pedido no restaurante do primeiro encontro de vocês. Aliás, você recebeu o postal? E as flores, gostou delas? Foi um presente para você por seus 3 anos com João. Espero que sejam felizes.”
João ao ouvir tudo isso, pega o jornal em seu bolso do sobretudo e relê o horóscopo que havia lido mais cedo: “Péssimo dia para lidar com as pessoas, os seus sentidos o trairá”.
Texto por Daniel Figueiredo
1 comentário:
ola Daniel! ha qto tempo hein? gostei desse txt, ainda q seja sinistro. gosto mto d ler historias dos outros, narraçoes ficticias, meu estilo preferido.
e ainda seu ultimo txt postado aki so confirmou coisas q ja sabia (espero q saiba do q estou falando). vc sabe q dou minha aprovaçao ne? abs
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