sexta-feira, janeiro 12, 2007

Autor vs Personagens

Sempre que estou lendo um novo livro, tento perceber a relação que há entre o Autor e o personagem, isso é algo muito interessante que serviu para tirar de minha aquela idéia de que o escritor é o Deus presente na história e que molda a vida dos personagens como deseja, aquele que é cruel ou bondoso, que destrói ou constrói. Por vezes enquanto leio percebo a impotência de alguns autores que ao longo de sua história perdem o controle dos personagens, – estes ganham vida, força e começam a querer mudar sua vida – e o autor não consegue fazer mais nada além de lamentar ou aconselhar. Quando penso sobre “A insustentável leveza de ser” sinto que Kundera deseja do fundo de seu coração que Tomaz e Tereza fiquem juntos, percebemos isso da sua maneira que trata das coisas simples que ocorrem ao longo das páginas, mas Kundera se sente impotente, por vezes lamenta o que ocorre e apenas acompanha e nos relata o que acontece entre os dois. Nelson Rodrigues odeia seus personagens – por sua vez, ele tem praticamente todo o poder sobre eles – percebemos o sadismo nas suas palavras e até sentimos a vontade de rir de todas as tragédias de suas obras como na “Toda nudez será castigada”, talvez Nelson desejasse que os seus personagens fossem à sua maneira, talvez ele goste de atrapalhar a vida deles e de sentir em seus dedos o sangue derramado nas páginas, o inferno do universo de Nelson Rodrigues está e sua caneta. Enquanto leio “Neve” de Pamuk vemos como ele gosta do Ka, como acha supreendente a sua maneira de viver, porém não se acha capaz de mover uma coisa apenas para mudar a história que ocorre na cidade de Kars.

Começei muito a me interessar sobre essas relações recentemente enquanto conversava com minha namorada sobre alguma obras, reconheco que li muito pouco. E tento advinhar como vai ser quando escrever uma história, será que conseguirei moldar a vida dos meus personagens? Será que eles se revoltarão e tentaram emancipar das páginas – como vemos no filme “Mais estranho que ficção” no qual Crick tenta fugir das palavras do destino de sua autora? Ou terei de ser como Kundera, ou como no filme “Cinco vezes amor”, e terei de mudar a linha do tempo da história numa tentativa de que as coisas terminem bem?


Lendo: “Neve” de Orhan Pamuk. Ed. Companhia das letras.

1 comentário:

Anónimo disse...

Oi Daniel!!
Pq vc não compareceu ao nosso encontro sexta-feira?

Obs: visita o meu blog! http://alessandraturola.blogspot.com

E comente!!! Bj!!!!!!