quinta-feira, dezembro 25, 2008

O Globo de Vidro

João ficou olhando para aquele globo, um globo escuro de vidro que representava o universo

(pelo menos João me dizia que se o universo tiver uma “cara” esta seria a dele. Esta era uma mania que ele tinha desde que o conheci era por esse globo em suas mãos em sua casa, enquanto fazia suas diversas atividades numa casa solitária, assim ele parecia o dono do mundo).

(O universo era tão grande, tão múltiplo que como poderia alguém não poder se achar dentro dele, sentir-se um peixe fora deste grande oceano? Eu sempre pensei que João era assim, esse peixe fora d'água, e, recentemente descobri que João justamente se achava assim, quando achei seu caderno de anotações. Ele dizia que sentia uma “dor delicada, suave que parecia sentir desde que nascera, ou talvez antes de tudo isso. Dor esta que já fazia parte de seu universo e de seu corpo era como suas mãos, ele achava que cada um tinha a própria. João era um cara triste).

Enquanto João girava seu universo, o Universo girava em torno dele, incessante, imponente, ignorando todos seus filhos (João escrevera que sentia um grande pesar em fazer qualquer atividade, pois parecia que ao fazer esta deixava de fazer outras tantas, sentia que nunca estaria satisfeito com qualquer coisa que fizesse, exceto observar seu globo, que para ele “era a representação do universo, logo estaria fazendo todas as coisas do mundo”).

João decidiu por seu globo em cima da mesa e agir, não podia mais ficar sem agir, estava pensando nisso há dias talvez (João estava apaixonado por Melanie, ele a conhecera no café próximo da sua casa em um dia chuvoso. Melanie estava tomando café com croissants. João escrevera que “nunca alguém havia tomado café com tal delicadeza, detalhe e sentimento”. Este foi o início de seu amor, logo ele se sentou ao lado dela e puxou assunto com ela (ele sempre foi bom em puxar assuntos, pois de tanto observar as pessoas ele sabia que todos deixam códigos a serem decifrados, códigos estes que revelam muito mais que as palavras, códigos que podem ser livros, vestimentas ou a forma como segura-se um café), começaram a fala sobre filmes, espetáculos de ballet entre mil outras coisas. Tudo ocorreu como ele planejara que seria quando encontrasse alguém como Melanie. Desde então, se viram mais umas vezes) e antes de sair, pegou um presente que havia para Melanie e pôs em seu sobretudo, decidiu pegar também seu globo por precaução.

João pegou suas chaves, e saiu pela casa em direção ao café, tinha que encontrar com Melanie como estava combinado antes, ele estava adiantado como sempre. Dobrou a esquina e estava avistando o café quando viu um amontoado de gente próximo a uma casa, onde havia bombeiros (João nunca gostou de ficar perto de desgraças, mas também nunca havia visto esse tipo de coisa próximo de sua residência. Foi conferir). Ao chegar para conferir o que se passava, tomou um susto.

O seu globo que estava em suas mãos caiu. (Melanie estava morta, disseram à ele que ela havia sido atropelada a pouco tempo. Melanie estava num maca, morta, já não pertencia a este universo ou ao universo de João. Talvez nunca tenha pertencido).

João se segurou para não chorar ali na frente e então pegou o presente de Melanie, um globo escuro como o dele, e pôs em sua mão, uma mão delicada, suave (ele nunca tivera uma chance de tocar dessa forma Melanie, só uma vez que esbarrou sua mão na dela quando passou para ela uns croissants de chocolate) e a fechou. Depois voltou para sua casa.

O globo escuro de vidro estava partido no chão. (João escrevera no seu caderno que aquele momento foi a prova de que ele não pertencia à este mundo, não havia lugar para ele apesar de sua imensidão infinita. Tudo que sei é que depois disso ele me ligou disse que enviaria uma encomenda para mim e disse que sentia falta de nossas conversas. Ele me mandou esse caderno. E nunca mais soube sobre João).

domingo, dezembro 21, 2008

.:Reflexões sobre o "não-acontecido":.

Uma das funções mais importantes das escrita que considero é a de explorar possibilidades, extrapolar o cotidiano. Irmos além do roteiro que fazemos durante o dia, exagerar, minimalizar, magicalizar ou apenas calar. Digo isso porque o "não-acontecido" tem sido um tema que tenho pensado bastante, esse "não-acontecido" são inumeras casos que poderiam ter acontecido se vocês não tivesse seguido seu caminho escolhi (injustiça, pois escolhemos um em detrimento de milhares de outras possibilidades).

Tenho pensado nas pessoas que deixei de conhecer por não ir nas festas, pensei nas paixões que poderia ter tido caso estivesse solteiro ou adotasse uma postura de solteiro, pensei em como seria minha morte e como seria a não-vida. Muitos podem ficar sempre tristes por isso, porque imaginar uma situação não passa de imaginar, nunca poderemos mensurar o "e se tivessemos nos beijado?"

Meus personagens que participam destes pensamentos são tristes, sentem sempre algum vazio mesmo que ocupem seu tempo e aproveitem qualquer momento de sua vida, não escapam disso. As vezes pensar de mais faz mal.

Entretanto, esses pensamentos tenho utilizado apenas como um fluxo criativo, um rio que transborda dúvidas e inunda minha vila da razão, mas sem estragar minha sanidade. Aprendo a dosar a fim de aproveitar o melhor de cada situação. Acredito que pensar no que não fizemos, no que não nos agradou serve para seguir daqui para frente de uma outra forma, não mais exaustiva, porém mais agradável. Equilibrada.

sábado, dezembro 20, 2008

Matilde

Será que podemos nos apaixonar ao primeiro olhar? Ainda que tudo dure menos de alguns minutos e sabemos que nunca mais nos veremos?

Matilde era o nome dela. Conheci num dia chuvoso quando decidi ir de metro na última hora. Durante minha absorta leitura tive minha atenção mudada de lado, estava olhando para ela. Alta, com seu cabelo castanho escuro que não passava dos seus ombros. Era linda, não aquela beleza que todos compartilham a mesma opinião, mas com toda certeza era bela. Acredito que era daquelas meninas que trocava suas noites de luxo por um bom romance seja de Allan Poe ou Vargas Llosa.

Quando dei uma olhada nela, recebi uma de volta. Claro que sem frase alguma ou contexto, era apenas uma resposta de que tinah percebido minha olhadela insuspeita. Logo tudo foi interrompido, um corpo fica em nossa frente impedindo qualquer nova investida - repararam que sempre alguma coisa impede a gente de seguir nosso caminho? pedras, pessoas, a vida -. Eu sabia que tudo era questão de tempo.

Continuei com meu romance, está de novo preso e por um momento tinha lembrado que havia esquecido matilde. Foi então quando todo caminho estava desimpedido e novamente olhei para ela, que por sua vez estava ainda me olhando. Que momento lindo e digno de contos românticos!!! Eu estava vivo de novo em palavras de algum escritor qualquer. Mas quando dei por mim junto com o obstáculo que nos impedia de viver uma vida breve, ela também estava indo embora. Olhei pela janela. Quando reparei que ela esperava este olhar, tanto é que reagiu com um sorrisinho. Daquele de meninas que ruborizam ao falar de um colega bonito.

Decidi fugir. Sai do vagão correndo e quando dei por mim estava na frente de Matilde. Não havia preparado nada para dizer para ela. Dzier que estava apaixonado por ela era tolo demais, entretanto qualquer coisa menor que isso era mentira.

Foi quando busquei seus lábios. Ela reagiu. O beijo foi longo, pois sabíamos que era nosso último.

O nome dela era Matilde (ou como quisera em meus sonhos).

terça-feira, dezembro 16, 2008

.:O fim (do ano):.

O fim do ano chega e eu começo a ficar ansioso para o ano seguinte, parece que esse ano de 2008 apesar de ter sido bem rápido, tem sido um ano que quero logo deixar para trás. Me cansou. Foi um ano de muita reflexão, sobre minha vida profissional e pessoal. O positido é que isso tem contribuído para uma estruturação do ano de 2009 muito melhor e mais sólido. Será um ano de investimento profissional. Quero trabalhar logo, preciso começar a ter minha grana, poder juntar dinheiro e poder fazer planejamentos.


As sessões do teste vocacional tem sido muito importantes para isso, tem me auxiliado a tomar uma decisão pensando em todas as esferas possíveis, tentando ao máximo conciliar com tudo que sempre sonhei. Quero poder estar na prática, mexer com arte, gerenciar pessoas, organizar cardápios e poder viajar para onde eu desejar. E essa parte de poder trabalhar fora, conhecer culturas diferentes foi algo que ganhou muitos pontos quando pensei em fazer gastronomia. Então começa a saga do Chef Figô. rs.


Olha, não sou muito bom com listas, apesar de gostar de ver sempre essas listas que saem na internet, porém vale aqui dizer certas coisas que marcaram esse ano de 2008, pois se foi um ano de muita reflexão, também foi de muita leitura, nunca li tanto em minha vida (graças também à greve da Uerj de mais de dois meses). Sobre os livros que li esse ano, os que mais marcaram foram:


  • A sombra do Vento – Carlos Ruiz Záfon
  • O jogo do Anjo – Carlos Ruiz Záfon
  • O evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago


Como a memória falha, pois enquanto olho para a prateleira de livros não consigo lembrar de que li nenhum.

Já com os filmes que vi vai esta lista:


  • O Cavaleiro das Trevas – merece, foi um ótimo filme e via marcar para sempre
  • Wall-e – Que filme lindo e sensível, por isso nunca deixo de assistir desenhos
  • As horas – apesar de um pouco mais antigo, resolvi rever esse ano e com toda certeza ele e o livro vão marcar para sempre.


No campo da música, eu esperava que o álbum do Conor Oberst and the mystic valley iria ser insuperável, porém tive contato com uma cantora no mínimo inusitada: a Regina Spektor, essa garota é um monstro, não vi nada igual, tem uma voz grandiosa, criatividade beirando um gênio infantil, usa e abusa da voz e de seu lindo piano! E sem medo de ser Kitsch.


O grande momento do ano foi minha apresentação de ballet, foi algo impensado e inesperado quando olhando no início do ano, mas foi algo maravilhoso, uma ótima experiência.


Um grande abraço à todos e que tenham um ótimo fim de ano...

Daniel Faleiro

terça-feira, novembro 18, 2008

Um segredo sonhado

Ela sonhou que vestia um lindo vestido rosa, de saia grande daquelas que dançam com a música como se tivesse vida própria, rendado, cheio de brilhantes em locais estratégicos fazendo que uma simples garota pareça uma das mais belas princesas do mundo moderno. Sonhou também que estava num grande salão, onde todos que estavam só tinham olhos para ela. Ela ficou vermelha. Nunca tinha visto tanta gente olhando apenas para ela. Primeiro pensou que deveria haver algo errado em seu vestido. Tinha que ter algo errado. Mas não, estava tudo certo. Logo depois pensou que sua tiara poderia estar mal colocada, mas estava perfeita, parecia que foi feita apenas para ela. Estava tudo certo. Todos estavam a admirando.

Logo em seguida, começou a tocar uma valsa da qual ela não saberia dizer, mas com toda certeza parecia aquela dos filmes que ela vira quando criança. Era bela esta canção. Só agora que ela pensou que algo deveria estar errado, pois não havia nenhuma comemoração próxima, ela já havia completado 15 anos e estava longe de qualquer aniversário de próximo. Mas o importante é aproveitar este sonho, ela disse.

Do meio da multidão apareceu um garoto, mas não era qualquer, era aquele que perambulava em todos seus sonhos e devaneios, aquele que tivera apenas como inalcançável e agora estava lá, presente. Era um sonho se tornando realidade. Ou um sonho mesmo, já que até durante seus sonhos ela tem sonhos por dentro.

Aquele perfeito filme durou por muito tempo, ela não saberia precisar quanto, porque em sonhos não temos noção de nada. Além do fato de ser um daqueles sonhos que não queremos acordar nunca, o que importava era que ela estava lá e estava de olhos aberto. Ela dançou, dançou e dançou, sempre abraçada de seu querido garoto transfigurado em príncipe. E o grande momento esperado por muito tempo – tanto em vida real como até em sonhos, porque toda vez que ela sonhava em beijá-lo ela acordava – chegou, ele a pegou pelo rosto e a beijou, ela fechou seus olhos para sentir este grande momento.

Fechou seus olhos.

E quando abriu, ele ainda estava lá.

quinta-feira, novembro 13, 2008

.:Amor-próprio:.



"Ao contrário do amor, o amor-próprio não acaba nunca" - Carlos Drummond de Andrade, em "O Avesso das coisas".

Este aforismo deveria estar na consciência de cada pessoa, penetrada em cada buraco invisível de nossos poros de forma que sirva de nossa grande luz nos momentos de maior escuridão (há aquelas pessoas que só vivem na escuridão). Normalmente buscamos sempre o reconhecimento do outro, o amor do outro, o abraço do outro (embora não deixe de ser verdade que "Eu sou o outro"), mas o que quero abordar é a necessidade, talvez a urgência, de se buscar um equilíbrio em nós mesmos, equilíbrio este que nos faça pensar melhor, receber melhor elogios e críticas.

Temos que buscar antes de pensar em ser bem amado, em nos amarmos bem, para aí sim sermos amados. Se fossemos traçar um gráfico a linha do amor de outro cresceria conforme a linha do amor próprio cresce, é como se o amor próprio fosse um copo, um recipiente e o amor do outro fosse o líquido.

Cresce a necesidade junto a tudo, de buscarmos um espelho para nós mesmos, um espelho que nos faça ver nossas qualidades, defeitos e tudo aquilo que nos torna aquilo que somos, entretanto se lembre que somos passíveis de mudança, o mundo inteiro é um Devir. Então vamos nos mover, nos conhecer, nos amar, nos conhecer. Sua vida não precisa de pontos finais, o tempo fará isso por você.

Fica no final uma frase do Einstein: "A vida é como andar de bicicleta. Para manter seu equilíbrio você deve continuar em movimento".

p.s: todas as fotos são de minha autoria e se encontram no flickr: http://www.flickr.com/photos/little_figo/

sábado, novembro 08, 2008

.:Um Fim (ou A balada do Homem Morto):.

Seria muito frio da minha parte tentar começar de forma enfeitada uma história triste, de alguém que morreu de infarto fulminante em sua própria casa. Sozinho. Abandonado.

É muito engraçado como a gente só se choca por egoísmo. Não choramos porque alguém morreu, mas porque alguém da NOSSA VIDA morreu. Repare que não é a vida que se míngua, mas nossos contatos. Se a gente não conhecesse ninguém não sofreríamos?

Não posso pedir para vocês se emocionarem pela morte desse senhor porque vocês nem ao menos sabem se ele existiu ou não. Eu também não me emocionei.

Era um senhor estava desfrutando de sua solitária aposentadoria (se ele fosse ela, uma criança de apenas 13 anos vocês se emocionariam? Existe morte mais triste que outras? Morte não é apenas morte?), e um belo (ou mal?) dia ele começou a sentir que o fim se aproxima, não sabia descrever, mas sentia que algo estava para acontecer. Não sabia dizer se era algo bom ou ruim, pois acreditava que nada seria pior do que vivia agora. Imagine morar numa cidade grande com milhões de habitantes e você ser invisível? Um fantasma renegado pelos céus e que está fadado a viver em solo? Era assim que ele se sentia.

Passados exatos 27 dias, assistindo seu programa de tevê favorito – desenhos animados, sim ele mantinha algo de jovial em toda aquela história – quando sentiu que aquela dor seria a última. E foi. Com um fim de supetão.

Um fantasma foi aceito no reino dos céus.

E nesse dia não caíram gotas de chuva dos olhos das pessoas.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Figo no Divã - "Qual meu próximo passo?"


Bem, para começar eu não faço terapia. Não, também não sou contra terapias, mas meu momento é outro. Estou no Divã para fazer um teste vocacional, não consigo mais lidar com minha faculdade e com a vida que estava levando com ela. Quanto mais me aproximava do final do curso mais ficava assustado com o destino, então preferi rever meus caminhos antes que fosse tarde demais (apesar de nunca achar que as coisas se tornem tardes demais). Tenho meus palpites do que vai sair com tudo isso, mas estou aberto às novidades. Estou cansado de nadar em águas passadas.

Música:
"Sing me something new" - David Fonseca

Twitter:
Agora entrei para a galerinha twitter chequem lá e criem também a sua conta. www.twitter.com/figuinho

Abraços,
Figo

domingo, outubro 05, 2008

.:A Torre:.


Eu subo as escadas sem ver onde estou pisando, esse lugar é extremamente pequeno, claustrofóbico, não consigo imaginar que anos e anos atrás pessoas subiam e desciam aqui todos os dias a trabalho. Já é difícil imaginar este local como um ponto turístico, ainda mais se pensar que irei morrer em mais alguns degraus, porém como somos animais estúpidos a esperança preenche todo vazio que sentimos diante da morte, como uma luz cintilante numa noite coberta de nuvens carregadas.

A subida nessas escadas são totalmente paradoxal. Se parece muito com a própria vida. Não agüento mais subir sem chegar a um ponto satisfatório, mas tão pouco quero chegar ao fim, pois o fim de todos esses lances significa também o meu próprio fim. Um grão de areia diante de tantos fins que se dão a todo o momento nesse mundo de histórias emaranhadas com farpas.

Enquanto subo todos os lances tento me lembrar o motivo da subida, mas a adrenalina não me deixa recordar nada consistente, apenas flashes aliados ao sino desta torre que já marca meia-noite. O sino toca. Estou diante de uma pessoa. O sino toca. Faz-se um disparo. O sino toca. Gritos do corpo caído. O sino toca. Meu sorriso. O sino toca. Gritos do lado de fora. O sino toca. Eu corro. O sino toca. Carta. O sino toca. Torre. O sino toca. Subo as escadas. O sino toca. Tropeço ainda no início. O sino toca. Eu vejo minha filha. O sino toca. Um céu estrelado.

Essa amnésia não me permite ao menos saber o porquê da minha morte, quem sabe talvez eu seja inocente? Ou sou tão culpado que os Deuses me concederam o dom da ignorância para pelo menos sorrir em meus minutos finais. Eu sorrio. Realmente diante da morte somos tão idiotas que inventamos coisas para nos tornar mais leves.

A morte se parece muito com uma música com suas texturas próprias, ritmos e harmonias. De forma muitas vezes “invisível” suas mãos tocam em nossos cabelos, bem de leve apenas para mostrar sua presença. Um passaro morto. Um fruto podre. Um Natimorto. Normalmente ao vermos isso egoisticamente damos graças a Deus por não ter sido conosco. É, merecemos tudo isso.

Sinto que já estou chegando ao final das escadas, ouço barulhos lá fora, começo a suar frio ainda que meu corpo já anuncie que não quer brincar mais, que aceitar a morte é ser sábio nesse momento. Apesar de todos esses questionamentos, cheguei ao final, abro a porta e saio. Percebo que aonde cheguei não é tão pequeno quanto a própria extensão dos degraus, não para onde correr, tento ainda inutilmente conhecer o outro lado, mas nada de novo. A porta por onde passei se abre de novo, me desespero, tento correr, mas apenas consigo ver o rosto daquele que vai me tirar a vida. A morte personificada. Um som, que não é o sino.

E estou morto.

Já morto eu percebo que estou de novo correndo, no início das escadas da torre, essa maldita torre. Começo a perceber que o início desta já se fez há muito tempo talvez antes de minha própria consciência. Talvez antes de meu próprio pecado.

sexta-feira, setembro 12, 2008

quinta-feira, maio 22, 2008

Pra descer....

Esse ano tem sido um ano bem diferente, como eu bem esperava. Não queria mais um ano daqueles que cada dia é um dia como o outro, quero um ano que os dias sejam únicos e mágicos. Não apenas quero, faço deles o que eu desejo.

***

Como é bom começar a encontrar um lugar à qual você pertence. Eu estava desde o ano passado totalmente perdido em meus pensamentos e escolhas, não conseguia vislumbrar um local para mim, vivia como um alien. Agora muita coisa mudou, ainda me sinto um Alien porém um alien que está encontrando seu planeta, deixo de ser um extraterrestre. Meus pensamentos convergem rumo à alegria, a vontade de viver. Espero que as coisas caminhem não só para mim como para todos os outros. Pensamentos positivos sempre! Quem cresce na vida vê oportunidades e não obstáculos.

***

Conheci uma velhinha hoje muito engraçada, daquelas que tem suas manias (admitidas por ela mesma, que no caso adorava andar comendo balas), tem sempre uma resposta na ponta da língua e sempre um bom ditado (muitos nem conhecia e nem me lembro mais). Foi uma conversa prazerosa, daquelas que provavelmente vou guardar por muito tempo, falamos da alegria e como ela é importante para nossos mundos. Ela não ria nem mesmo para dizer que ela estava "mais dura do que um poste". É muito bom sempre essa oportunidade de conhecer pessoas que mostram que estando com uma idade avaçada, a vida proporcionou muito mais alegrias do que tristezas.

Termino aqui dizendo o que ela disse para mim:

"Pra descer todo santo ajuda, mas para subir as coisas "muda""

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

.:XY:.

Hoje estava eu no 422 indo para minha casa quando, avistando homens solteiros e em companhias, percebi que homens solteiros tem caras de sérios enquanto os acompanhados, de tolos. Parecem bobos, seguram as coisas das mulheres, riem como crianças, gestos infantis e desajeitados. Claro que parecem feliz, eu talvez seja o tolo mais feliz do mundo - acredito pelo menos que eu seja. Mas foi uma cena bem engraçada, isso me fez lembrar de quando eu era mais novo. Eu era daqueles caras que falavam com todas meninas, eram os tolos delas, fazia tudo que desejavam. Claro que estava eu na tola esperança de que uma delas me retribuísse. Como as meninas são más.

Eu poderia ter sido mais esperto e ter agido de forma a conseguir as coisas, eu fiz muitos poemas, letras, comprei coisas, ajudei em coisas mas passei anos sem nada em troca. Não fico com raíva delas por isso, essas coisas sempre me inspiram à coisas futuras. E claro que nem todas as meninas foram más para mim, apesar de acreditar que todas elas terem esse lado.

Um grande beijo para minha menina má (não tão má assim).

domingo, fevereiro 10, 2008

As travessuras que um livro faz.....









Desde o início deste novo ano de 2008 sinto um grande vazio no meu peito, parece que um amigo meu ficou para trás, alguém que me fazia rir e me fazia chorar me fazia entorpecido nas conversas e me deixava estático a cada fim do dia. Bem, o livro é o "As travessuras da menina má" de Mário Vargas Llosa, provavelmente o livro mais lindo que já li - é tomou o posto que era da grande obra "A insustentável leveza de ser" de Milan Kundera. Vargas Llosa escreveu esse livro com toda carga de experiência de vida que passou, isso talvez tornou o livro mais próximo de todos nós e nos fez apegar mais ainda ao personagem Ricadito - no qual me identifiquei loucamente -, que assim como Vargas Llosa, viveu em vários lugares durante sua vida. Resta-me saber sobre a menina má, mas ainda vou procurar saber. É um livro que não se pode perder a oportunidade de se ler, não direi que se não lerem vão perder algo, pois não se perde o que não se ganha. Mas se lerem o livro, com certeza ganha ter muita coisa para se acrescentar em suas vidas.

Acredito que todos os homens conheceram já uma menina má, não tão genial como a Peruanita, mas digna de ser uma grande aluna. Talvez muitas meninas não sejam boas alunas mas - pode até parecer um tanto machista, me perdoem - mas há um pouco de má nas formas das mulheres agirem, e acredito que as grande mulheres, aquelas que conseguem tudo que desejam são realmente boas meninas más.

Um grande abraço,
Daniel Faleiro

p.s: Vargas Llosa, você é do caralho.

terça-feira, janeiro 29, 2008

St. Vincent

Já dediquei posts para o Bright Eyes, David fonseca, entre outros. Mas desta vez vou ser menos machista e vou falar de uma Artista que merece um post especial Annie Clark a.k.a St. Vincent (E participou da banda Turnê do Polyphonic Spree e Surfjan Stevens). Ela foi a primeira Cantora faz-tudo que vi em minha vida que é boa no que faz. As suas músicas são lindas, suas transições de voz muito carregadas de sentimentos (não quero dizer extensão vocal ou voz lírica pois estou pouco me ******** para isso). Toca guitarra de uma forma invejável (não como os otários do G3) e piano carregado de blues e jazz. Seu álbum novo (e primeiro) "Marry Me" é fantástico. Destaque para "All my stars Aligned", "Marry Me" e "Jesus Saves, I'm spend".

St. Vincent em "Marry Me"



Essa música do Polyphonic Spree, vocês conhecem de alguma propaganda:



Um grande abraço.

domingo, janeiro 06, 2008

E começa mais um ano....

Eis que chega 2008.
Segundo umas previsões anteriores, não era nem para estarmos aqui. Todo ano declaram pelo menos duas vezes o fim do mundo. Esse fim do mundo talvez da forma como previra R.E.M (It's the end of the world as we know it - se não escrevi errado). O que importa é que 2007 foi um ano realmente chato mas que serviu para criar algumas expectativas para todos nós.
Terminei "O Mensageiro" de Zuzak. É um livro muito bom, com uma escrita bem própria e despojada dele (os leitores ortodoxos não gostarão provavelmente), mas ao contar a história de um cara que aos 19 anos percebe que sua vida não foi nem um pouco daquilo que ele gostaria e ele sente que deve inserir um sentido, algo maior à sua vida, Zuzak nos faz pensar nossa própria vida e nas pequenas coisas que fazemos e que tem consequências grandiosas. O melhor de tudo é que Zuzak faz tudo isso sem soar profético ou algum manual de auto-ajuda, faz talvez como um amigo nosso dando uma briga porque somos nada.

E atualmente estou lendo (e terminando) "Travessuras da menina má" de Vargas Llosa, é um livro fantástico, já o tinha em meu armário há um ano e sempre adiei sua leitura, mas agora realmente que li as primeiras páginas não consegui parar. Talvez todo homem já conheceu uma menina má como o Llosa escreve (pelo menos comigo aconteceu) e ao ler esse livro vai reviver esses bons maus momentos. É um livro para se ler, para amar, e ficar com vontade de reler. O ruim é o fato de sentirmos muito mal quando estamos nas últimas 100 páginas, porque queríamos que esse livro nos acompanhasse todos os dias, com novas histórias e novas travessuras.

E além de livros, minhas férias tem sido feitas de Seinfeld, ganhei um box da quarta temporada e estou devorando. Vale muito a pena mesmo.

Grande abraço,
Daniel Faleiro