Seria muito frio da minha parte tentar começar de forma enfeitada uma história triste, de alguém que morreu de infarto fulminante em sua própria casa. Sozinho. Abandonado.
É muito engraçado como a gente só se choca por egoísmo. Não choramos porque alguém morreu, mas porque alguém da NOSSA VIDA morreu. Repare que não é a vida que se míngua, mas nossos contatos. Se a gente não conhecesse ninguém não sofreríamos?
Não posso pedir para vocês se emocionarem pela morte desse senhor porque vocês nem ao menos sabem se ele existiu ou não. Eu também não me emocionei.
Era um senhor estava desfrutando de sua solitária aposentadoria (se ele fosse ela, uma criança de apenas 13 anos vocês se emocionariam? Existe morte mais triste que outras? Morte não é apenas morte?), e um belo (ou mal?) dia ele começou a sentir que o fim se aproxima, não sabia descrever, mas sentia que algo estava para acontecer. Não sabia dizer se era algo bom ou ruim, pois acreditava que nada seria pior do que vivia agora. Imagine morar numa cidade grande com milhões de habitantes e você ser invisível? Um fantasma renegado pelos céus e que está fadado a viver em solo? Era assim que ele se sentia.
Passados exatos 27 dias, assistindo seu programa de tevê favorito – desenhos animados, sim ele mantinha algo de jovial em toda aquela história – quando sentiu que aquela dor seria a última. E foi. Com um fim de supetão.
Um fantasma foi aceito no reino dos céus.
E nesse dia não caíram gotas de chuva dos olhos das pessoas.
3 comentários:
A morte é simplesmente a morte. Ainda bem que alguém chega perto de compartilhar essa visão comigo. Gracias dios grandioso.
By the Way, todos têm algum vínculo social. Talvez o velho do enfarte tenha alguém que goste dele. Como a velhinha que ele encontra pra dançar tango ou bolero no fim de semana...
muitas vezes temos amantes invisíveis...que nos amam em silêncio, são um personagem sutil...frágil....
Vou escrever um conto sobre isso....
A morte, não é apenas Morte... No Alto dos Céus Ergue-se sempre alguém que olha e que fala em silêncio...
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