quinta-feira, dezembro 25, 2008

O Globo de Vidro

João ficou olhando para aquele globo, um globo escuro de vidro que representava o universo

(pelo menos João me dizia que se o universo tiver uma “cara” esta seria a dele. Esta era uma mania que ele tinha desde que o conheci era por esse globo em suas mãos em sua casa, enquanto fazia suas diversas atividades numa casa solitária, assim ele parecia o dono do mundo).

(O universo era tão grande, tão múltiplo que como poderia alguém não poder se achar dentro dele, sentir-se um peixe fora deste grande oceano? Eu sempre pensei que João era assim, esse peixe fora d'água, e, recentemente descobri que João justamente se achava assim, quando achei seu caderno de anotações. Ele dizia que sentia uma “dor delicada, suave que parecia sentir desde que nascera, ou talvez antes de tudo isso. Dor esta que já fazia parte de seu universo e de seu corpo era como suas mãos, ele achava que cada um tinha a própria. João era um cara triste).

Enquanto João girava seu universo, o Universo girava em torno dele, incessante, imponente, ignorando todos seus filhos (João escrevera que sentia um grande pesar em fazer qualquer atividade, pois parecia que ao fazer esta deixava de fazer outras tantas, sentia que nunca estaria satisfeito com qualquer coisa que fizesse, exceto observar seu globo, que para ele “era a representação do universo, logo estaria fazendo todas as coisas do mundo”).

João decidiu por seu globo em cima da mesa e agir, não podia mais ficar sem agir, estava pensando nisso há dias talvez (João estava apaixonado por Melanie, ele a conhecera no café próximo da sua casa em um dia chuvoso. Melanie estava tomando café com croissants. João escrevera que “nunca alguém havia tomado café com tal delicadeza, detalhe e sentimento”. Este foi o início de seu amor, logo ele se sentou ao lado dela e puxou assunto com ela (ele sempre foi bom em puxar assuntos, pois de tanto observar as pessoas ele sabia que todos deixam códigos a serem decifrados, códigos estes que revelam muito mais que as palavras, códigos que podem ser livros, vestimentas ou a forma como segura-se um café), começaram a fala sobre filmes, espetáculos de ballet entre mil outras coisas. Tudo ocorreu como ele planejara que seria quando encontrasse alguém como Melanie. Desde então, se viram mais umas vezes) e antes de sair, pegou um presente que havia para Melanie e pôs em seu sobretudo, decidiu pegar também seu globo por precaução.

João pegou suas chaves, e saiu pela casa em direção ao café, tinha que encontrar com Melanie como estava combinado antes, ele estava adiantado como sempre. Dobrou a esquina e estava avistando o café quando viu um amontoado de gente próximo a uma casa, onde havia bombeiros (João nunca gostou de ficar perto de desgraças, mas também nunca havia visto esse tipo de coisa próximo de sua residência. Foi conferir). Ao chegar para conferir o que se passava, tomou um susto.

O seu globo que estava em suas mãos caiu. (Melanie estava morta, disseram à ele que ela havia sido atropelada a pouco tempo. Melanie estava num maca, morta, já não pertencia a este universo ou ao universo de João. Talvez nunca tenha pertencido).

João se segurou para não chorar ali na frente e então pegou o presente de Melanie, um globo escuro como o dele, e pôs em sua mão, uma mão delicada, suave (ele nunca tivera uma chance de tocar dessa forma Melanie, só uma vez que esbarrou sua mão na dela quando passou para ela uns croissants de chocolate) e a fechou. Depois voltou para sua casa.

O globo escuro de vidro estava partido no chão. (João escrevera no seu caderno que aquele momento foi a prova de que ele não pertencia à este mundo, não havia lugar para ele apesar de sua imensidão infinita. Tudo que sei é que depois disso ele me ligou disse que enviaria uma encomenda para mim e disse que sentia falta de nossas conversas. Ele me mandou esse caderno. E nunca mais soube sobre João).

domingo, dezembro 21, 2008

.:Reflexões sobre o "não-acontecido":.

Uma das funções mais importantes das escrita que considero é a de explorar possibilidades, extrapolar o cotidiano. Irmos além do roteiro que fazemos durante o dia, exagerar, minimalizar, magicalizar ou apenas calar. Digo isso porque o "não-acontecido" tem sido um tema que tenho pensado bastante, esse "não-acontecido" são inumeras casos que poderiam ter acontecido se vocês não tivesse seguido seu caminho escolhi (injustiça, pois escolhemos um em detrimento de milhares de outras possibilidades).

Tenho pensado nas pessoas que deixei de conhecer por não ir nas festas, pensei nas paixões que poderia ter tido caso estivesse solteiro ou adotasse uma postura de solteiro, pensei em como seria minha morte e como seria a não-vida. Muitos podem ficar sempre tristes por isso, porque imaginar uma situação não passa de imaginar, nunca poderemos mensurar o "e se tivessemos nos beijado?"

Meus personagens que participam destes pensamentos são tristes, sentem sempre algum vazio mesmo que ocupem seu tempo e aproveitem qualquer momento de sua vida, não escapam disso. As vezes pensar de mais faz mal.

Entretanto, esses pensamentos tenho utilizado apenas como um fluxo criativo, um rio que transborda dúvidas e inunda minha vila da razão, mas sem estragar minha sanidade. Aprendo a dosar a fim de aproveitar o melhor de cada situação. Acredito que pensar no que não fizemos, no que não nos agradou serve para seguir daqui para frente de uma outra forma, não mais exaustiva, porém mais agradável. Equilibrada.

sábado, dezembro 20, 2008

Matilde

Será que podemos nos apaixonar ao primeiro olhar? Ainda que tudo dure menos de alguns minutos e sabemos que nunca mais nos veremos?

Matilde era o nome dela. Conheci num dia chuvoso quando decidi ir de metro na última hora. Durante minha absorta leitura tive minha atenção mudada de lado, estava olhando para ela. Alta, com seu cabelo castanho escuro que não passava dos seus ombros. Era linda, não aquela beleza que todos compartilham a mesma opinião, mas com toda certeza era bela. Acredito que era daquelas meninas que trocava suas noites de luxo por um bom romance seja de Allan Poe ou Vargas Llosa.

Quando dei uma olhada nela, recebi uma de volta. Claro que sem frase alguma ou contexto, era apenas uma resposta de que tinah percebido minha olhadela insuspeita. Logo tudo foi interrompido, um corpo fica em nossa frente impedindo qualquer nova investida - repararam que sempre alguma coisa impede a gente de seguir nosso caminho? pedras, pessoas, a vida -. Eu sabia que tudo era questão de tempo.

Continuei com meu romance, está de novo preso e por um momento tinha lembrado que havia esquecido matilde. Foi então quando todo caminho estava desimpedido e novamente olhei para ela, que por sua vez estava ainda me olhando. Que momento lindo e digno de contos românticos!!! Eu estava vivo de novo em palavras de algum escritor qualquer. Mas quando dei por mim junto com o obstáculo que nos impedia de viver uma vida breve, ela também estava indo embora. Olhei pela janela. Quando reparei que ela esperava este olhar, tanto é que reagiu com um sorrisinho. Daquele de meninas que ruborizam ao falar de um colega bonito.

Decidi fugir. Sai do vagão correndo e quando dei por mim estava na frente de Matilde. Não havia preparado nada para dizer para ela. Dzier que estava apaixonado por ela era tolo demais, entretanto qualquer coisa menor que isso era mentira.

Foi quando busquei seus lábios. Ela reagiu. O beijo foi longo, pois sabíamos que era nosso último.

O nome dela era Matilde (ou como quisera em meus sonhos).

terça-feira, dezembro 16, 2008

.:O fim (do ano):.

O fim do ano chega e eu começo a ficar ansioso para o ano seguinte, parece que esse ano de 2008 apesar de ter sido bem rápido, tem sido um ano que quero logo deixar para trás. Me cansou. Foi um ano de muita reflexão, sobre minha vida profissional e pessoal. O positido é que isso tem contribuído para uma estruturação do ano de 2009 muito melhor e mais sólido. Será um ano de investimento profissional. Quero trabalhar logo, preciso começar a ter minha grana, poder juntar dinheiro e poder fazer planejamentos.


As sessões do teste vocacional tem sido muito importantes para isso, tem me auxiliado a tomar uma decisão pensando em todas as esferas possíveis, tentando ao máximo conciliar com tudo que sempre sonhei. Quero poder estar na prática, mexer com arte, gerenciar pessoas, organizar cardápios e poder viajar para onde eu desejar. E essa parte de poder trabalhar fora, conhecer culturas diferentes foi algo que ganhou muitos pontos quando pensei em fazer gastronomia. Então começa a saga do Chef Figô. rs.


Olha, não sou muito bom com listas, apesar de gostar de ver sempre essas listas que saem na internet, porém vale aqui dizer certas coisas que marcaram esse ano de 2008, pois se foi um ano de muita reflexão, também foi de muita leitura, nunca li tanto em minha vida (graças também à greve da Uerj de mais de dois meses). Sobre os livros que li esse ano, os que mais marcaram foram:


  • A sombra do Vento – Carlos Ruiz Záfon
  • O jogo do Anjo – Carlos Ruiz Záfon
  • O evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago


Como a memória falha, pois enquanto olho para a prateleira de livros não consigo lembrar de que li nenhum.

Já com os filmes que vi vai esta lista:


  • O Cavaleiro das Trevas – merece, foi um ótimo filme e via marcar para sempre
  • Wall-e – Que filme lindo e sensível, por isso nunca deixo de assistir desenhos
  • As horas – apesar de um pouco mais antigo, resolvi rever esse ano e com toda certeza ele e o livro vão marcar para sempre.


No campo da música, eu esperava que o álbum do Conor Oberst and the mystic valley iria ser insuperável, porém tive contato com uma cantora no mínimo inusitada: a Regina Spektor, essa garota é um monstro, não vi nada igual, tem uma voz grandiosa, criatividade beirando um gênio infantil, usa e abusa da voz e de seu lindo piano! E sem medo de ser Kitsch.


O grande momento do ano foi minha apresentação de ballet, foi algo impensado e inesperado quando olhando no início do ano, mas foi algo maravilhoso, uma ótima experiência.


Um grande abraço à todos e que tenham um ótimo fim de ano...

Daniel Faleiro