sábado, dezembro 20, 2008

Matilde

Será que podemos nos apaixonar ao primeiro olhar? Ainda que tudo dure menos de alguns minutos e sabemos que nunca mais nos veremos?

Matilde era o nome dela. Conheci num dia chuvoso quando decidi ir de metro na última hora. Durante minha absorta leitura tive minha atenção mudada de lado, estava olhando para ela. Alta, com seu cabelo castanho escuro que não passava dos seus ombros. Era linda, não aquela beleza que todos compartilham a mesma opinião, mas com toda certeza era bela. Acredito que era daquelas meninas que trocava suas noites de luxo por um bom romance seja de Allan Poe ou Vargas Llosa.

Quando dei uma olhada nela, recebi uma de volta. Claro que sem frase alguma ou contexto, era apenas uma resposta de que tinah percebido minha olhadela insuspeita. Logo tudo foi interrompido, um corpo fica em nossa frente impedindo qualquer nova investida - repararam que sempre alguma coisa impede a gente de seguir nosso caminho? pedras, pessoas, a vida -. Eu sabia que tudo era questão de tempo.

Continuei com meu romance, está de novo preso e por um momento tinha lembrado que havia esquecido matilde. Foi então quando todo caminho estava desimpedido e novamente olhei para ela, que por sua vez estava ainda me olhando. Que momento lindo e digno de contos românticos!!! Eu estava vivo de novo em palavras de algum escritor qualquer. Mas quando dei por mim junto com o obstáculo que nos impedia de viver uma vida breve, ela também estava indo embora. Olhei pela janela. Quando reparei que ela esperava este olhar, tanto é que reagiu com um sorrisinho. Daquele de meninas que ruborizam ao falar de um colega bonito.

Decidi fugir. Sai do vagão correndo e quando dei por mim estava na frente de Matilde. Não havia preparado nada para dizer para ela. Dzier que estava apaixonado por ela era tolo demais, entretanto qualquer coisa menor que isso era mentira.

Foi quando busquei seus lábios. Ela reagiu. O beijo foi longo, pois sabíamos que era nosso último.

O nome dela era Matilde (ou como quisera em meus sonhos).

2 comentários:

ana disse...

amo finais felizes.. vou começar a andar mais de metro esse ano! hauahau

acho lindo essa sua capacidade de ver beleza em coisas cotidianas.. é isso que faz d nois escritores, poetas... artistas!

Unknown disse...

Concordo com a Ana, o texto está muito bonito, bem escrito e estruturado, uma paixão súbita nos transportes é sempre é sempre uma óptima ideia e dá muito pano para mangas...
Abraço