Enquanto ajeitava sua franja diante de seu espelho um pouco adolescente demais para sua idade (ela tinha 19 anos) Isabela por vezes olhava para sua parede pintada de azul com estrelas nela, sabia que seria a última vez que as veria. Lembrou de quando pintou sua parede – havia pensado em toda a decoração para seu quarto – e de como se sentia em casa neste quarto. As coisas já não eram as mesmas, não sentia pertencer aquele mundo. Essa cidade grande que a sufocava cada dia mais, seus amigos que deixaram de ser companhias e estavam se tornando inquisidores, acreditava as vezes que estava condenada a fogueira. Precisava de ar, precisava de um lugar novo, tão bem escolhido que nem ela mesmo conheceria.
Depois de pronta Isabela pegou sua grande mochila e desceu pela escada de sua casa. Ela se sentia pequena demais para o mundo. Seu quarto ficava no segundo andar de sua casa, que por sua vez era apenas uma casa de uma vila, que ficava em um bairro muito grande, dentro de uma das maiores cidades de seu país, que ainda por cima era de um dos grandes países, isso tudo a sufocava. Queria estar em um lugar que fosse um lugar apenas, não parte de uma grande maquinaria da qual ela sentia que não fazia parte. Isabela lembrou de como era bom estar em cidades pequenas, lá poderia ser grande, ser única, estar viva. Pode parecer tudo isso muito contraditório, mas o que não é?
Após deixar a porta de sua vila, decidiu que não olharia para trás. Nunca mais.
Isabela era das última garotas que sonhavam durante o dia com seu príncipe, aquele que nunca apareceu, mas que talvez esteja sempre a olhando escondido esperando seu momento para brilhar. Ela sabia que também por causa de um cara ela decidiu que não viveria mais nesta cidade, ela procurava negar até para ela mesmo isso, mas ela sabia que tinha que ser assim, longe dele ela respiraria, longe desta cidade ela viveria, longe de tudo ela renasceria.
Ao chegar na estação de trem, ela comprou um bilhete de ida apenas para uma das cidades do interior, uma daquelas simples, daquelas que o dia parecia realmente ter 24horas ou até mesmo 30, ela não precisaria viver hoje para o ontem. “Cada dia de uma vez” - sussurrou ela para si mesma enquanto subia a vagão do trem. E assim que ela sentou na poltrona, sabendo que demoraria uns 20 minutos para partir o trem, ela adormeceu.
Ouvindo um barulho, Isabela acordou e olho para a janela. O trem começara a andar, sentia seu caminho preciso, “passo a passo” do jeito que ela gostaria de viver. E começou a olhar pela a janela a cidade que ela dava adeus, as pessoas que deixaria para trás, sua casa, suas estrelas na parede e falso príncipe. Ela começava a se sentir cada vez mais leve a cada metro que o trem percorria. “Já começou a me sentir nova”, segreda Isabela para si mesma, sabendo que esse seria seu melhor aniversário.
4 comentários:
aiii cada dia vc me emociona mais!
Por vezes sinto o mesmo que a tua personagem, a Isabela, só me apetece é fugir, desaparecer para um sítio que ninguém me conheça e começar de novo.
A minha sorte é que graças à profissão que tenho por vezes consigo ir para fora meses seguidos.
Quanto ao texto, como sempre muito bom e emotivo.
Abraço
Adorei seu texto ... reflete o que muitas pessoas sentem mesmo, diante da correria do dia a dia, de querer fugir de um lugar por causa de um amor que precise se afastar.
muito bom o mesmo.
abrço
seu texto é muito bonito, nao consigo escrever assim! hehe
ja tinha dado uma olhada nesse texto, mas nada comentei (o q às vezes peço pras pessoas: leia E comente). mas vc tem uma boa "clientela" aqui hehe
ah aproveitando: como vc coloca aquele negocio de "seguidores" e de "assinatura"? aliás, assinei o seu blog hehe
aiai todos os paragrafos terminam com "hehe" hehe
AAAAAAAAA !!!!!!!!
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