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terça-feira, abril 07, 2009

.: Reflexões e outras histórias (parte I) :.

"Não existe meio de verificar qual é a boa decisão pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro."
A Insustentável Leveza do Ser - Kundera

A vida consegue ser mágica as vezes, conhecemos pessoas que mudam nossas vidas, nos transformam nos fazem ser aquilo que queremos ser. Faz-nos sentir livres, felizes e acreditar que viver vale a pena. A vida é um sopro, não podemos perder nosso tempo com preocupações tolas, com tristeza, como vi em um filme esses dias a maior parte do tempo estamos mortos ou ainda nem nascemos, então para que gastar o espaço que temos aqui com a tristeza.

Mesmo que acredite em outras vidas, não temos critério nenhum de comparação e sempre vamos pensar se tomamos a decisão certa, vamos acreditar mas não sei se podemos ter certeza (talvez para nos enganar e selar a dúvida adormecida).

Pensei nisso porque esses dias tive de tomar uma decisão, uma grande decisão, daquelas que queremos mas não sabemos se podemos. Mas será que não podemos mesmo? A gente as vezes molda e limita nossas vidas pelas experiências de outras pessoas, com medo do que pode acontecer com a gente, mas será que vale fazer isso? Cada pessoa tem uma configuração, outros pressupostos e cada situação é única (amar alguém nunca será como amar outrem). Pensando nisso sabia que era melhor fazer, só de pensar no fantasma da dúvida, o fantasma do "Se" atormentando minha vida ecoando a todo momento aquilo que deixei de fazer por um medo, pelo medo do que poderia acontecer, pelo medo do futuro.

Fiquei feliz por ser teimoso e acabar fazendo o que eu queria, isso foi ótimo não arrependo nada do que fiz, sei que posso dormir tranquilo a noite sem fantasmas, feliz de que o que fiz foi um marco em minha vida, algo que vou levar para onde eu for.

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Oceano


Sonhei com um oceano, um vasto oceano com zonas claras e escuras, como as pessoas, com características superficiais e outras ocultas a sete chaves, a milhas de profundidade. Nesse oceano me encantei com os peixes, me guiavam por caminhos diversos, diversas sensações experimentadas e sentidas, me sentia leve, flutuando em um êxtase, e sentia que talvez estivesse morto, nada mais importava para mim.

Os peixes me levaram a um caminho de corais que balançavam como os cabelos de uma mulher, sensual, belo, único. Cada movimento me entorpecia, me fazia suspirar e sentir o cheiro (ainda que embaixo do mar) e sentia algo correr por todo meu sangue, uma energia, um sentimento bom.

Pude observar os relevos do mar, os caminhos de terra, sensuais, por onde podia observar os seios de uma mulher, não muito volumosos, mas firmes, belos e delicados, esse caminho ia desenho um corpo ao longo de todo oceano. Me sentia pequeno diante tanta beleza. Poderia ser testemunha disso tudo sem poder me apaixonar? Não saberia dizer mas acreditei que era possível. Engano meu.

Engano meu porque encontrei os olhos dos oceanos, eram duas sereias cor de mel, que me fizeram olhar por minutos ou mesmo dias, pois perdi a noção do tempo. Não saberia dizer nem mais onde eu começava ou onde o oceano terminava me senti unido. Essas sereias me fizeram perceber o quanto tudo aquilo era bom, era verdade e não apenas um sonho. Talvez um sonho realizado.

Deu um medo com toda essa imensidão, sentia a sensualidade, a delicadeza e toda beleza me prender. Mas só de pensar no medo de nunca mais ver isso em minha vida. Me entreguei.

Não é seguro amar um oceano, mas amei.

Quando abri meus olhos, era você.

Daniel Faleiro - 07-04-09